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Título de artigo sobre displasia fibromuscular com ilustração de artérias carótidas com a doença

Displasia Fibromuscular

A displasia fibromuscular ou fibrodisplasia é uma doença dos vasos sanguíneos, que provoca alterações como irregularidades, estreitamentos ou dilatações em artérias do corpo, principalmente as artérias carótidas, artérias vertebrais e artérias renais, embora possa acontecer em qualquer parte do corpo.

É uma condição geralmente benigna mas que pode ter consequências como AVC, aneurismas e pressão alta de difícil controle. Nesse artigo, vamos explorar as principais características da displasia fibromuscular.

O que é a displasia fibromuscular?

O próprio nome displasia fibromuscular é na verdade uma descrição direta do que acontece. “Displasia” refere-se a um desenvolvimento anormal ou crescimento de células e tecidos, “fibro” refere-se à fibra, “muscular” refere-se ao músculo. Então, a displasia fibromuscular é uma condição que causa o crescimento anormal das células nas paredes dos vasos sanguíneos que podem levar ao estreitamento (estenose), aneurismas ou rasgos (dissecções) nas artérias

Isso pode ocorrer em qualquer parte do corpo, mas é mais comum nas artérias dos rins (artérias renais) e do pescoço (artérias carótidas e vertebrais). 

Quem pode ter Displasia Fibromuscular?

A displasia fibromuscular afeta principalmente mulheres por volta dos 50 anos de idade, embora também possa ocorrer em crianças e homens. Pessoas com histórico familiar de displasia fibromuscular têm maior probabilidade de desenvolver a condição mas essa situação corresponde a menos de 5% dos casos.

A causa exata é desconhecida, mas estudos mostram que a displasia fibromuscular pode ter uma predisposição genética em alguns casos, assim como outros fatores podem estar relacionados, como hormonais e o hábito de fumar.

A frequência exame da fibrodisplasia é desconhecida mas é uma condição cada vez mais identificada. 

Quais são os sintomas e os riscos da Displasia Fibromuscular?

As consequências da displasia fibromuscular dependem do vaso afetado e da sua intensidade. Muitos pacientes vivem com displasia e não tem nenhum sintoma relacionado a ela – podem descobrir por acaso durante exames.

Em outros casos, os sintomas podem incluir complicações sérias, incluindo hipertensão (pressão alta), aneurismas, dissecção arterial e AVC.

Displasia das Artérias Renais

A displasia das artérias renais, semelhante a outras formas de displasia fibromuscular, é uma condição não-aterosclerótica e não-inflamatória que causa o estreitamento (estenose) das artérias renais. A consquência direta desse estreitamento é a redução do fluxo de sangue para os rins que provoca hipertensão arterial e, em casos mais graves, insuficiência renal.

Angiotomografia mostra irregularidades e dilatação da artéria renal por fibrodisplasia
Angiotomografia é um dos exames que pode mostrar a displasia fibromuscular. As setas indicam irregularidades e dilatações nas artérias renais.

A hipertensão causada pela estenose das artérias renais é chamada de hipertensão renovascular. É uma causa importante de pressão alta em pacientes jovens. Em muitos casos é uma hipertensão de difícil controle, que não responde bem mesmo a vários medicamentos.

Como qualquer caso de hipertensão, por si só já aumenta o risco de AVC, infarto, aneurismas, insuficência cardíaca e outras complicações.

Displasia das Artérias Carótidas e Vertebrais

Assim como nas artérias renais, a displasia das carótida e vertebrais pode provocar estreitamentos, dilatações e aneurismas destes vasos.

Além disso, como as paredes dos vasos displásicos são mais fracas, apresentam maior risco de dissecção arterial, que são rasgos entre as camadas das artérias. Já falamos sobre a dissecção em outro artigo e vimos que pode ser uma causa de dor de cabeça e no pescoço e principalmente de AVC e aneurismas.

É importante reforçar que a maioria dos casos são descobertos por caso durante exames de imagem, mas alguns pacientes podem descobrir devidos sintomas,  principalmente dor de cabeça e zumbido pulsátil.

Os sinais e sintomas da displasia fibromuscular das carótidas e vertebrais podem variar dependendo do grau de estreitamento ou irregularidade nas artérias. Alguns dos sinais e sintomas mais comuns podem incluir: 

  • Tontura ou vertigem
  • Dor de cabeça
  • Dor no pescoço
  • Zumbido pulsátil nos ouvidos
  • Perda de visão ou visão embaçada

Dor de cabeça

A dor de cabeça da fibrodisplasia não tem uma característica específica. Na verdade, até 30% dos pacientes também tem enxaqueca.

Zumbido

O zumbido pulsátil é uma sensação de pulsação do coração no ouvido. Também pode vir acompanhada de sopro que pode ser auscultado pelo médico na região do pescoço. Essas manifestações acontecem em até 40% dos pacientes com displasia fibromuscular.

Tontura

A tontura é menos comum e pode ter várias formas.Algumas pessoas descrevem como sensação de cabeça leve ou cabeça vazia,  enquanto outras tem sensação de quase desmaio, chamado de pré-síncope. 

Esses sintomas podem acontecer por diferentes mecanismos, desde flutuação da pressão arterial por desregulação do sistema automático de controle (disautonomia) até falta de sangue por estreitamento grave dos vasos.

Complicações graves

Já as complicações mais temidas são o AVC isquêmico que, como vimos, pode acontecer pela dissecção arterial, mas também pelo próprio estreitamento dos vasos que dificulta da chegada de sangue até o cérebro, e os aneurismas cervicais ou cerebrais, que também acontecem devido a fragilidade das artérias. Quando os aneurismas cerebrais rompem, podem levar a hemorragia subaracnoide.

Para saber mais sobre os sintomas dessas condições, veja nossos artigos sobre AVC , sobre dissecção arterial e sobre os aneurismas cerebrais.

Displasia de outras artérias

A displasia fibromuscular não está limitada apenas às artérias renais e do pescoço. Na verdade, essa condição pode afetar qualquer artéria de médio calibre no corpo. Isso inclui, mas não se limita, às artérias encontradas nos braços e pernas, no cérebro, no instestino e até no coração.

Por exemplo, é possível que a condição afete as artérias mesentéricas, que fornecem sangue para o intestino, ou as artérias ilíacas, que fornecem sangue para as pernas. Os sintomas em cada caso, variam de acordo com as artérias afetadas e o com o grau de alteração.

Tipos de displasia fibromuscular

A displasia fibromuscular é uma doença não-aterosclerótica que afeta principalmente as artérias médias e pequenas. Ela pode se manifestar principalmente de duas maneiras: focal ou multifocal.

Ilustração dos diferentes tipos de displasia fibromuscular de carótidas: focal e multifocal

A displasia focal é um estreitamento que afeta a camada mais interna da artéria, chamada de íntima. Representa 10% dos casos.

A displasia multifocal é a mais comum, responsável pelos 90% dos casos. Nesse caso, observações alterações mais longas, com dilatações e estreitamentos, em um aspecto conhecido como “colar de contas”. Nessa forma, a camada afetada é a média, formando por células musculares lisas.

Como é diagnosticada a displasia fibromuscular?

A displasia fibromuscular é diagnosticada por exames que avaliam os vasos sanguíneos, como ultrassom com doppler, angiotomografia (angioTC), angioressonância (angioRM) e angiografia digital.

Na maioria dos casos é identificada durante avaliação de sintomas não relacionados, como ao fazer exames para investigar dor de cabeça ou outras condições.

Por outro lado,  alguns sintomas podem indicar a necessidade de exame direcionado para procurar alterações com a displsia.  É o caso de hipertensão refratária, sopro carotídeo, zumbido pulsátil, por exemplo. 

A angiografia digital é o exame considerado padrão ouro para o diagnóstico, mas é reservado para casos selecionados, por ser minimamente invasivo.

Angiografia digital de carótida mostrando displasia fibromuscular.
Imagem de angiografia digital mostrando irregularidades na artéria carótida, compatível com displasia fibromuscular, apontada pela seta.

Tratamento 

O tratamento para a displasia fibromuscular envolve o controle dos sintomas e a prevenção de complicações, como acidente vascular cerebral e aneurismas, com uso de medicamentos, controle de fatores de risco, orientações e procedimentos em casos selecionados.

Em alguns casos, como quando há estenose das carótidas ou vertebrais, o tratamento pode incluir medicamentos antiagregantes, como AAS.

Quando há hipertensão (pressão alta) de difiícil controle com medicamentos, procedimentos com angioplastia da artéria renal podem ser indicados.

Também é  promover mudanças de estilo de vida para controlar fatores de risco, como parar de fumar.

No caso das alterações neurológicas, a avaliação de um neurologista vascular permite estimar os riscos, discutir as opções de tratamento, como acompanhamento, angioplastias de estenoses ou tratamento de aneurismas, conforme a avaliação individualizada de cada caso.

Deve-se evitar quiropraxia e outras atividades que envolvam movimentos rápidos do pescoço, com hiperextensão ou rotação lateral, porque podem aumentar o risco de dissecção arterial.

O acompanhamento médico regular é sempre importante, mesmo nos casos em que nenhum tratamento imediato for indicado.

Embora esta condição possa aumentar o risco de complicações sérias, o manejo adequado pode ajudar a reduzir esses riscos e permitir uma vida saudável e ativa.

Fontes:
Fibromuscular Dysplasia and Its Neurologic Manifestations – A Systematic Review – JAMA

3 comentários em “Displasia Fibromuscular”

  1. Olá, Dr. Luiz Fernando, evitar atividades que envolvam movimentos rápidos do pescoço seria o caso de se evitar praticar natação? Musculação também deve ser evitada? Desde já agradeço pela atenção.

  2. Maria Helena Chagas Dario

    Bom dia, tenho displasia fibromuscular do lado direito da cabeça e pescoço, consultei com doutor Cláudio sibert de passo fundo onde diagnosticou através dos sintomas mais exames, trato com pradaxa 150 MG, e carbamazepina, mas as dores continuam e outros sintomas estão aparecendo, teria algum outro tratamento, não guento mais.

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