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aneurisma cerebral - o que é, causas, sintomas e tratamento

Aneurisma Cerebral

Saiba tudo sobre aneurismas cerebrais, o que é, suas causas, sintomas e tratamentos. 

Aneurismas cerebrais são dilatações anormais nas paredes dos artérias que levam sangue ao cérebro. São importantes porque podem crescer progressivamente, causando sintomas ou hemorragias intracranianas sérias. 

Estimamos que cerca de 3 a 5% da população têm aneurisma cerebral e, em 30% dos casos, há mais de um aneurisma na mesma pessoa. Eles são responsáveis por uma pequena proporção dos acidentes vasculares cerebrais, mas causam quadros graves.

A maior parte dos aneurismas se forma ao longo da vida, embora casos congênitos possam existir. Características hereditárias e alguns fatores que podem ser modificados, como pressão alta e tabagismo, podem levar a maior risco para formação, crescimento e ruptura de um aneurisma.

Aneurismas cerebrais são dilatações nos vasos do cérebro. Podem crescre e sangrar.
Aneurismas cerebrais são dilatações dos vasos do cérebro

Nesse artigo, vamos procurar explicar os principais aspectos dos aneurismas, com embasamento cientifico mas linguagem clara. Vamos lá!  

O que é aneurisma cerebral?

Para entender melhor o aneurisma cerebral, precisamos entender que ele se forma nas artérias intracranianas.

Artérias são os vasos sanguíneos que levam sangue aos órgãos. Elas têm paredes com camadas musculares fortes, que permitem resistir à pressão do fluxo sanguíneo que passa dentro delas. Em certas situações, como veremos mais à frente, algumas áreas de fragilidade podem se formar na parede da artéria. Com a parede mais fraca, ela se dilata progressivamente, formando o aneurisma, muitas vezes em formato de “bexiga” ou “saco”. Por isso, o tipo mais comum de aneurisma cerebral é chamado aneurisma sacular.

Ou seja, o aneurisma cerebral é uma dilatação anormal nas artérias cerebrais. Como ocorre em uma região de parede mais fina, tem risco de romper e permitir a saída de sangue para o cérebro, causando um tipo de acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico. Se crescer muito, também pode pressionar nervos e outras estruturas do cérebro, provocando sintomas como estrabismo, queda da pálpebra e dor de cabeça.

Além dos aneurismas saculares, temos outros tipos mais raros:

  • aneurismas fusiformes
  • aneurismas dissecantes
  • aneurismas tipo blister
  • aneurismas micóticos
Existem diferentes tipos de aneurismas cerebrais
Tipos de Aneurismas Cerebrais

Nem todos os aneurismas cerebrais rompem. É preciso uma avaliação criteriosa para determinar o risco de sangramento e a necessidade de tratamento.

Causas dos aneurismas cerebrais

Sabemos que, na maior parte dos casos, aneurismas cerebrais são lesões adquiridas, ou seja, que desenvolvem-se ao longo da vida, como resultado de uma combinação de fatores: hemodinâmicos (devido ao fluxo sanguíneo), individuais (características hereditárias) e ambientais (como hábitos de vida).

Acredita-se que os aneurismas se formam principalmente devido ao estresse da passagem do fluxo sanguíneo sobre as paredes das artérias, sobretudo nas áreas de bifurcação, onde o fluxo é mais turbulento. Esse estresse pode ser menor ou maior dependendo de muitas variáveis.

Tabagismo e hipertensão não controlada estão entre os principais fatores de risco para formação, crescimento e ruptura de aneurismas.

Além disso, certas doenças genéticas podem aumentar a chance de ter aneurismas cerebrais, seja por provocar enfraquecimento das artérias, seja por outras vias não tão bem conhecidas. As principais são:

  • doença policística renal
  • síndrome de Ehlers-Danlos
  • neurofibromatose do tipo 1
  • síndrome de Marfan
  • pseudoxantoma elástico
  • displasia fibromuscular

Outras causas menos comuns de aneurismas são traumas, infecções, tumores, abuso de drogas, malformações arteriovenosas, etc.

Quais os sintomas do aneurisma cerebral?

Aneurismas cerebrais não provocam sintomas na maioria dos casos e são mais comumente descobertos por acaso durante exames realizados por outro motivo, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética – esses são chamados de aneurismas incidentais.

Menos comumente, aneurismas grandes podem comprimir estruturas, como nervos, e provocar sintomas como visão dupla, visão borrada e perda de visão, dilatação da pupila em um dos olhos, queda da pálpebra, formigamentos ou dor na face e dor de cabeça.

O quadro mais grave do aneurisma ocorre quando ele rompe e se torna uma emergência médica. Nessa situação, chamada de hemorragia subaracnoide, que é um tipo de AVC hemorrágico, o paciente apresenta uma dor de cabeça muito intensa, muitas vezes descrita como uma pancada na cabeça e a pior dor da vida

A dor de cabeça da hemorragia subaracnoide pode estar acompanhada de outros sintomas:

  • Náuseas e vômitos
  • Confusão
  • Sonolência excessiva
  • Perda de consciência, às vezes transitória
  • Convulsões
  • Dor ou rigidez do pescoço

Dependendo da gravidade e da localização do sangramento causado pelo rompimento do aneurisma, o paciente também pode apresentar fraqueza de um lado corpo, alteração de fala, dificuldade de equilíbrio e dificuldade para andar e até coma e morte antes mesmo da chegada ao hospital.

Em alguns casos, o portador de aneurisma apresenta uma dor de cabeça muito forte, dias a semanas antes da ruptura do aneurisma. É a chamada “cefaleia sentinela” ou “dor de cabeça sentinela” e pode indicar microssangramento ou mudanças na parede do aneurisma. Essa dor indica a necessidade urgente de investigação e tratamento.

Como um aneurisma é diagnosticado?

A história clínica e o exame físico podem indicar a suspeita da presença de um aneurisma cerebral mas a sua confirmação requer um exame de imagem que estudo os vasos sanguíneos, como:

  • tomografia e angiotomografia de crânio
  • ressonância e angioressonância do crânio/encéfalo
  • angiografia cerebral
Aneurismas podem ser diagnosticados por angiografia cerebral.
Angiografia cerebral mostrando aneurisma sacular

Aneurismas muito grandes podem até vistos em exames normais do parênquima do cérebro, mas em geral são necessários exames próprios para avaliar os vasos intracranianos, como os citados acima.

Como vimos, muitas vezes esses exames são realizados na avaliação de outras doenças e aneurismas cerebrais podem ser encontrados “por acaso”. Mesmo nesses casos, é preciso avaliar as características do aneurisma para orientação, programação de tratamento e acompanhamento.

Quais os riscos dos aneurismas cerebrais?

Nem todo aneurisma cerebral diagnosticado necessita de tratamento imediato, mas sempre deve ser avaliado quanto ao seu risco de ruptura.

Para avaliação do risco de um aneurisma cerebral e da indicação de tratamento, diversos aspectos são levados em consideração, como idade do paciente e seu estado de saúde, localização e tamanho aneurisma, características da anatomia do aneurisma, história de sangramento de outros aneurismas do paciente ou familiares próximos, entre outros, além do próprio desejo do paciente em receber o tratamento.

Sabemos que aneurismas maiores que 5 a 7mm oferecem maior risco de rotura e esse risco é maior quanto maior for o aneurisma, mas aneurismas pequenos também podem romper.

Além disso, aneurismas cerebrais que apresentam características irregulares ou que apresentam crescimento ao longo do tempo também são mais propensos a romper e devem ser tratados com prioridade.

Aneurismas que já romperam devem ser tratados sempre que possível, pois apresentam risco muito elevado de romper de novo.

Qual o tratamento?

Os aneurismas cerebrais podem ser tratados de duas formas principais: a cirurgia convencional (cirurgia aberta) e o tratamento endovascular (minimamente invasivo).

Tipos de tratamentos de aneurismas cerebrais
Cirurgia convencional e tratamento endovascular para tratamento de aneurismas

Cirurgia convencional para aneurisma cerebral

Na cirurgia convencional, por meio de uma abertura no crânio, o neurocirurgião coloca um clipe metálico no colo (a parte dele que sai da artéria) do aneurisma.

Tratamento endovascular do aneurisma cerebral

O tratamento endovascular é uma técnica minimamente invasiva de tratar doenças dos vasos sanguíneos do cérebro. No caso dos aneurismas cerebrais, o médico neurorradiologista intervencionista navega com cateter desde uma pequena punção na virilha ou no punho até o interior do aneurisma, onde insere dispositivos que impedem a entrada de sangue no aneurisma e eliminam seu risco de romper. Por ser minimamente invasivo, o tempo de internação é mais curto e a recuperação é mais rápida que no tratamento convencional.

Na maioria dos casos, o tratamento endovascular é a melhor opção para tratar aneurismas cerebrais, considerando segurança, eficácia e comodidade.

Em algumas situações, é preferível manter observação do aneurisma, com realização de exames periódicos. Em todos os casos, é importante realizar o controle de fatores de risco, como parar de fumar e controlar bem a pressão arterial.

Dúvidas comuns sobre Aneurismas Cerebrais

Como é o diagnóstico de um aneurisma cerebral?

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